"Como eu posso aprender o outro e a verdade do outro? E como isso pode ajudar a ver melhor, a me ver, a olhar pra minha nuca?"
Essa foi uma pergunta que me fiz quando comecei meu doutorado informal... E fiquei um bom tempo tentando entender o sentido de eu querer entender olhares de outras pessoas se isso era um processo de mergulho em mim. De que serviria o outro se eu estou querendo me conhecer? Não conseguia entender o motivo pelo qual eu acreditava que o enxergando eu poderia me enxergar também, eu tinha consciência apenas de que aquilo era algo pulsando por dentro.
Comecei esse mergulho (doutorado informal) na mesma época em que comecei a me apresentar como Ciano, o nome que recebi dos meus pais não é esse, mas esse nome surgiu de dentro pra fora, era uma ideia que surgia no âmago e tomava minhas entranhas, e aos poucos sinto que minha pele se tingirá também de um ciano brilhante e intenso... Não precisei negar meu nome, ou a construção que eu estava vivendo, apenas me abrir para essa força interna, e as mudanças vieram muito naturalmente.
Mas esse processo de descoberta só foi possível quando eu descobri que existiam mais verdades possíveis além das que me foram apresentadas, só quando vi muitas verdades que pude entender as minhas. Eu era um milho dentro de um saco de milhos, um milho que não germinaria, era apenas uma casca rígida. Eu era o que fui projetado para ser, e comecei a perceber que havia algo mais potencial por dentro, e virei do avesso.
Os exemplos de renascimento são interessantes pois dependem de ambientes que assegurem essa mudança, de momentos que desencadeiem isso: uma lagarta que não se alimenta devidamente morre antes de virar borboleta, ou quando alguém força a saída da borboleta de seu casulo, ela não se desenvolve e morre. Uma fênix precisa passar pela morte para ressurgir, assim como a águia que arranca suas penas, garras e bicos em lugares muito altos. Uma semente precisa de água, minerais, terra e luz para germinar e um milho precisa de óleo e calor para estourar e assumir sua forma interna.
Essa foi uma pergunta que me fiz quando comecei meu doutorado informal... E fiquei um bom tempo tentando entender o sentido de eu querer entender olhares de outras pessoas se isso era um processo de mergulho em mim. De que serviria o outro se eu estou querendo me conhecer? Não conseguia entender o motivo pelo qual eu acreditava que o enxergando eu poderia me enxergar também, eu tinha consciência apenas de que aquilo era algo pulsando por dentro.
Comecei esse mergulho (doutorado informal) na mesma época em que comecei a me apresentar como Ciano, o nome que recebi dos meus pais não é esse, mas esse nome surgiu de dentro pra fora, era uma ideia que surgia no âmago e tomava minhas entranhas, e aos poucos sinto que minha pele se tingirá também de um ciano brilhante e intenso... Não precisei negar meu nome, ou a construção que eu estava vivendo, apenas me abrir para essa força interna, e as mudanças vieram muito naturalmente.
Mas esse processo de descoberta só foi possível quando eu descobri que existiam mais verdades possíveis além das que me foram apresentadas, só quando vi muitas verdades que pude entender as minhas. Eu era um milho dentro de um saco de milhos, um milho que não germinaria, era apenas uma casca rígida. Eu era o que fui projetado para ser, e comecei a perceber que havia algo mais potencial por dentro, e virei do avesso.
Os exemplos de renascimento são interessantes pois dependem de ambientes que assegurem essa mudança, de momentos que desencadeiem isso: uma lagarta que não se alimenta devidamente morre antes de virar borboleta, ou quando alguém força a saída da borboleta de seu casulo, ela não se desenvolve e morre. Uma fênix precisa passar pela morte para ressurgir, assim como a águia que arranca suas penas, garras e bicos em lugares muito altos. Uma semente precisa de água, minerais, terra e luz para germinar e um milho precisa de óleo e calor para estourar e assumir sua forma interna.
***
Quando levei a oficina de Anatomia do Olhar para algumas escolas ocupadas eu notei o que eu já tinha esquematizado há um tempo (sobre a dependência-independência-interdependência), era um processo muito vivo e visível, mas também muito natural. Não me pareceu que eles leram muito sobre grandes estudiosos ou livros famosos sobre pedagogia ou mesmo vida em comunidade, gestões horizontais, etc. Me parecia muito uma experiência viva, descobrindo em cima de erros e acertos, externando algo que já pulsava por dentro, assumindo a forma que eles já tinham, mas eram forçados a esconder.
Tivemos um momento de luto antes de começar a mergulhar no debate, compartilhamos experiências ruins no ensino formal, e o que eu mais via eram explicações de como suas potências foram reprimidas, como que o esquema em que eles estavam inseridos os forçava a permanecer dentro de suas cascas de milho infértil, impedindo a todo o custo que eles assumissem seus formatos diferentes de pipoca. Eram pessoas enrustidas, e é isso que aprendemos a ser em todos os âmbitos da vida: Pessoas enrustidas. Pessoas que não se empoderam de si mesmas, não sabem quem são, e escondem por dentro o que acreditam por medo da repressão.
Nas escolas eu tinha um papel de oficineiro no princípio, mas aquilo se perdia, pois meu doutorado informal era exatamente aprender com eles, e permitir que eles aprendessem comigo, de repente estávamos todos em panelas de óleo fervente, e as ideias pipocavam.
O mais engraçado? Nos serviram pipoca para comer.
A resposta é sua, a pergunta é do encontro. A sociedade te impede de ser alguém que assume suas responsabilidades, desejos, necessidades, etc, mas é exatamente na relação social que nós podemos assumir tudo isso, é através do outro, do contato, do atrito, através do ambiente e das suas condições! A potência está dentro, mas se empurra para fora, pois é no ambiente que ela se consolida, e pelo ambiente que ela potencializa, num ciclo de desenformar e dar forma, de desconstruir e construir.
A educação se dá no encontro das potências. A potência se dá na educação.
Será?
Continuem de olho,
Ciano.