Quando falo de olhar para a própria nuca muita gente acha engraçado imaginar essa possibilidade, mas o que isso realmente quer dizer?
Quando fixamos o olhar num ponto, mas não estamos olhando para ele, estamos olhando além dele: estamos olhando para a nossa própria nuca. Mas não é simplesmente olhar para o nada, e sim olhar para si, como se seus olhos virassem para dentro, focando em pensamentos íntimos. Mas também não é simplesmente pensar, é mergulhar em si, ter consciência de si e colocar seu eu interno na situação.
Quando eu fazia aula de pintura com a Renata Cruz ouvi muito sobre olhar para a própria nuca, e fui criando definições para isso aos poucos, foi a partir daí que surgiu o processo de anatomia do olhar, e esse olhar se destrinchou em muitas partes.
O olhar é como recebemos a luz que o mundo reflete, o olhar é a nossa forma de perceber a ilusão, é onde as verdades do outro se sujam de julgamento a partir de nossas próprias verdades. A visão não é simplesmente um dos cinco sentidos, ela é o sentido que damos às coisas (assim como o tato, a audição, o paladar, o olfato)... Se nós não gostamos de chocolate isso não significa que chocolate é ruim, mas sim que nós o percebemos assim; Se ouvimos uma ofensa é por que percebemos uma ofensa;
Poderia mudar o nome desse processo para a anatomia do sentir, mas acho que olhar me cabe mais como artista plástico, mas toda vez que eu falar sobre o olhar estou falando de todas as sensações possíveis, de todas as formas como podemos receber e perceber as coisas.
Esse questionamento me tomou no dia em que olhei para meus desenhos e pensei "Como as mãos fazem isso?", mas me dei conta de que a mão é tão ferramenta quanto o lápis e o papel, então na hora deduzi que quem fazia aquilo eram meus olhos... Depois de um bom tempo notei que também não eram meus olhos, mas sim meu olhar: Meu sentir, meu perceber.
Eu reproduzo na arte o mundo que eu percebo, pois o mundo é como uma instalação que só está completa quando o expectador entra em contato com ela. O mundo só existe quando eu o percebo.
Conhecer o mundo sempre foi meu objetivo, e um dia percebi que as árvores são os seres mais livres do planeta, pois com seus galhos ao chão estão conectadas à todo o mundo, e com suas raízes aos céus estão conectadas ao universo. Foi assim que entendi que não existem espaços vazios ou grandes distâncias entre as pessoas, mas sim átomos que nos ligam à tudo e todos. E percebi que para conhecer o mundo eu precisava conhecer a mim mesmo.
O tema da minha graduação informal está dividido em matérias, essas matérias são pessoas, e não simplesmente pessoas, mas olhares. A física nos mostra que dois corpos não ocupam o mesmo espaço, e logo dois corpos não ocupam o mesmo ponto de vista. Como eu posso aprender o outro e a verdade do outro? E como isso pode ajudar a ver melhor, a me ver, a olhar pra minha nuca?
Não sei.
Mas não estou aqui para dar respostas, e sim para levantar perguntas, pois são elas que nos ensinam... O olhar é nossa mente duvidando da luz...
Ou não.
Bons olhares.
Uau! Adorei o tema e as indagações! Poucas palavras já me trouxeram tantos insights! Agradecida! Vou acompanhar seu caminho :)
ResponderExcluirOlá Marina! Muito obrigado, espero que acompanhe e comente mais, pode comentar seus insights, isso ajudará e muito no meu processo! Espero que continue acompanhando e comentando.
ExcluirNos vemos! =D