sábado, 20 de junho de 2015

Trajetórias do olhar. - A escolha dos mentores.

Quando comecei com essa ideia de fazer uma graduação informal eu comecei a ler muito sobre vivências parecidas, como a do Alex Bretas e do André Gravatá. Eu estava buscando respostas, formatos. Sem entender que a educação é um processo individual dentro de um  processo coletivo. Ou seja, minhas demandas, necessidades e pontos de vista são diferentes das demandas, necessidades e pontos de vista do Alex, do André ou seja lá de quem for. Eu tenho uma forma de apreender a vida que já está dentro de mim.
A princípio eu havia criado um esquema muito concreto para essa graduação: onde eu tinha mentores e disciplinas previamente estabelecidas, mas daí entra o coletivo... A minha demanda encontra a demanda do outro e isso cria uma possibilidade. Dentro dessa lista de mentores então eu resolvi que as matérias deixariam de ser o que EU julgava que aquela pessoa poderia me oferecer, e passariam a ser eles mesmos, e como a troca genuína poderia ser construtiva.
Entretanto muitas pessoas começaram a aparecer no meu processo durante esse tempo, e eu comecei a perceber que aquela lista antiga precisava ser atualizada. E mais do que isso: eu recebi alguns "Nãos" de mentores, mas isso veio pra mim como uma dúvida, "Esse "não" finaliza um processo?", e em seguida outras muitas perguntas se levantaram "Eu escolho com quem vou aprender?", "Eu escolho onde vou aprender?", "Eu escolho quando vou aprender?", "Eu escolho quem vou ensinar?"...
Fui descobrindo um dos estilhaços da escola em mim "É preciso haver um espaço e momento pré determinado de aprendizado?", "É preciso haver um corpo docente e um corpo dissente e uma distinção muito clara entre eles?"... E eu pude observar que isso tudo é muito mais natural do que eu estava me propondo a fazer. Eu estou aprendendo, experimentando e vivenciando todo instante, estou ensinando sempre sem perceber. E isso é a energia criativa e inquieta que tenho dentro de mim, que todos tem... Essa é a educação natural... A criança não tem aulas para aprender a andar ou falar, ela simplesmente observa, experimenta, descobre. A semente não tem aulas de como germinar, se alimentar, e crescer, isso tudo está lá dentro.
Foi num diálogo com uma amiga minha que percebi que temos uma ideia de que nós só podemos aprender em lugares destinados à esse aprender, sem tomar consciência de que estamos aprendendo o tempo todo... Por isso eu mudei meu foco para a vivência, me permitir aprender em todo lugar, com todos, e até mesmo com quem eu estarei disposto a ensinar nesse percurso. Deixará de existir esse docente e esse dissente, e surgirão dois seres (ou mais) igualmente diferentes e dispostos a compartilhar, trocar.
Ainda pretendo ter diálogos com as pessoas que listei no começo do processo, mas as minhas matérias deixam de ser pessoas específicas, e se tornam as pessoas possíveis que posso conhecer no mundo, na vida...
Minha graduação informal está caminhando para um espaço de aprendizado dentro de mim mesmo, como se eu levasse a escola na mochila, assim tendo a consciência de que a situação mais inesperada pode estar me ensinando.

***

Uma das mentoras que havia escolhido previamente se chama Daniela Alves, ela foi minha professora de filosofia no ensino médio, mas sinto que não pudemos aproveitar a real aprendizagem no espaço em que convivíamos, por isso agora que deixei a escola voltei a ter um diálogo com essa professora onde traçamos algumas possibilidades práticas. 
Além de aprender com a Dani eu estarei disposto a aprender com as vivências dos alunos dela, e das possibilidades que poderão surgir criando um curso livre em meu bairro... Aos poucos vou comentar das pessoas da lista e como serão nossas trocas, e também das novas pessoas e vivências que forem aparecendo no percurso que é esse olhar atento à educação.



Bons olhares.

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